
O veterinário gastro é um especialista essencial para animais de estimação que apresentam sinais clínicos gastrointestinais crônicos, como vômitos persistentes, diarreia contínua, presença de sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, regurgitação frequente, dor abdominal ou anorexia. Esses sintomas acometem frequentemente cães e gatos, podendo refletir condições complexas e multifatoriais que exigem uma abordagem diagnóstica e terapêutica especializada. Ao integrar técnicas avançadas como endoscopia, colonoscopia, biópsias guiadas por ultrassom e protocolos baseados em evidências, o veterinário gastro consegue diferenciar doenças comuns de patologias severas, como doença inflamatória intestinal (IBD), pancreatite, hepatopatias e patologias metabólicas como a lipidose hepática, restaurando o conforto e a qualidade de vida do animal.
Além de aliar conhecimento técnico, o veterinário especializado compreende o impacto emocional e financeiro que casos crônicos geram nos tutores, proporcionando um caminho claro e humanizado que reduz a ansiedade e evita a peregrinação por tratamentos ineficazes. As abordagens aqui apresentadas seguem rigorosamente os consensos da ACVIM e as diretrizes da WSAVA, garantindo que o cuidado seja pautado em dados atualizados internacionalmente e respeitando as normas brasileiras do CRMV e CFMV.

Compreender o escopo da gastroenterologia veterinária é fundamental para reconhecer quando encaminhar o pet ao especialista, decidir a necessidade do exame endoscópico ou a frequência da reavaliação clínica, além de estabelecer um plano terapêutico individualizado e eficaz.
Em muitos casos, sinais como vômitos e regurgitação são confundidos. O vômito é um processo ativo envolvendo contrações abdominais e expulsão do conteúdo gástrico — frequentemente observado em gastrite, pancreatite ou IBD. Já a regurgitação é passiva, decorrente de problemas esofágicos como megaesôfago. Essa diferenciação é crucial, pois a abordagem diagnóstica e terapêutica diverge completamente.
Sinais como hematêmese (vômito com sangue), melena (fezes escuras, com sangue parcialmente digerido) ou hematochezia (sangue vermelho vivo nas fezes) indicam sangramento gastrointestinal e requerem investigação urgente para identificar causas como gastrite erosiva, úlceras pépticas, neoplasias ou parasitismo severo. A presença de dor abdominal intensa, distensão do abdômen, apatia profunda ou icterícia reforçam a necessidade de exames especializados imediatos.
Outro indicador importante é a perda de peso com bom apetite, frequentemente associada a condições crônicas como doença inflamatória intestinal (IBD) ou insuficiência pancreática exócrina. A diarreia crônica, alternância entre diarreia e constipação, além da presença de muco nas fezes, geralmente apontam para enteropatias complexas, que requerem valores de referência, exames laboratoriais e técnicas minimamente invasivas para confirmação diagnóstica.
Após identificar os sintomas clínicos indicativos, o passo seguinte envolvem técnicas diagnósticas avançadas que vão além de exames laboratoriais básicos, permitindo uma avaliação precisa do trato gastrointestinal e órgãos associados.
O endoscópio possibilita a visualização direta de mucosas do esôfago, estômago e intestino delgado proximal, enquanto a colonoscopia acessa segmentos do intestino grosso. Essas técnicas minimamente invasivas facilitam a coleta de biópsias intestinais com alta acurácia para diagnóstico histopatológico, fundamental para diferenciar IBD de neoplasias ou enteropatia infecciosa. A ACVIM destaca que a endoscopia guiada por especialista aumenta significativamente as chances de diagnóstico correto, otimizando tratamentos e evitando intervenções desnecessárias.
A ultrassonografia, especialmente com doppler, permite avaliação detalhada do parênquima hepático, pâncreas, linfonodos mesentéricos e parede intestinal. Na presença de massas, [empty] espessamentos ou alterações estruturais, é possível colher amostras para citologia ou histopatologia com mínima invasividade, ampliando a gama de diagnósticos, como colangite, hepatite, tumores e shunt portossistêmico. Técnicas guiadas minimizam riscos e favorecem abordagens cirúrgicas e clínico-terapêuticas adequadas.
Exames de sangue completo, veterinário gastro perfil hepático, provas pancreáticas (como a dosagem de elastase fecal), amostras fecais para parasitologia e exames de imagens convencionais são parte do arsenal diagnóstico integrativo. O uso de marcadores sorológicos ou testes genéticos auxilia na exclusão ou confirmação de doenças hereditárias ou infecções crônicas. A correta interpretação desses dados demanda experiência especializada para determinar quais solicitações são mais adequadas e o momento correto de realização, evitando gastos desnecessários e atrasos no diagnóstico.
Com a correta avaliação diagnóstica, o veterinário gastro pode identificar várias doenças comuns ou complexas que acometem o sistema digestivo dos pequenos animais.
A IBD é uma das causas mais frequentes de vômitos e diarreia crônicos, caracterizada por influxo persistente de células inflamatórias na mucosa intestinal. O diagnóstico gastroenterológico veterinário exige exclusão de outras causas e biópsia intestinais obtidas por endoscopia ou laparotomia. Após o diagnóstico, o manejo envolve uso de gastroprotetores, agentes imunossupressores, mudanças nutricionais com dietas hipoalergênicas e suplementação com probióticos que atuam na modulação da microbiota intestinal, promovendo remissão dos sintomas e redução das crises agudas e dos episódios de atendimento emergencial.
Pancreatite, frequentemente subdiagnosticada, provoca vômitos, dor abdominal e anorexia, gastroenterologista veterinário sp necessitando diagnóstico por métodos laboratoriais e ultrassonográficos. Em contrapartida, a IPE, causada por atrofia ou destruição do tecido pancreático funcional, gera má digestão, perda de peso apesar do apetite aumentado e fezes volumosas e malformadas. O tratamento inclui reposição enzimática e suporte nutricional cuidadoso para controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida.
Doenças hepáticas como lipidose hepática, colangite crônica e anomalias vasculares como shunts portossistêmicos causam sintomas sistêmicos além dos digestivos, incluindo alterações neurológicas secundárias à encefalopatia hepática. O diagnóstico precoce via ultrassom doppler e exames bioquímicos detalhados possibilita intervenções cirúrgicas ou terapêuticas que podem reverter o quadro antes que ocorram lesões irreversíveis.
Gastrites e úlceras resultam de processos inflamatórios desencadeados por estresse, uso de medicamentos ou infecções bacterianas. Megaesôfago, muitas vezes hereditário ou secundário a outras doenças, se manifesta com regurgitação frequente e risco de aspiração pulmonar. O tratamento dessas condições exige, além de medicações específicas, mudanças no manejo alimentar e nas rotinas do animal, para minimizar riscos e acelerar a recuperação.
O sucesso na resolução dos quadros gastrointestinais depende de protocolos terapêuticos personalizados, pois cada doença possui nuances específicas que impactam o plano nutricional, medicamentoso e até mesmo comportamental.
Dietas hipoalergênicas, com proteínas novel ou hidrolisadas, são pilares no tratamento da IBD e alergias alimentares. O equilíbrio entre macronutrientes, fibras e a incorporação de prebióticos e probióticos contribui para a restauração da microbiota intestinal, estímulo à motilidade adequada e fortalecimento das defesas locais. Tubos de alimentação ou dietas enterais podem ser necessários em casos graves para evitar desnutrição e acelerar a recuperação.
O uso de gastroprotetores, anti-inflamatórios, antibióticos específicos para casos de superinfecção e enzimas pancreáticas compõem o arsenal terapêutico. O acompanhamento contínuo com ajustes de doses e monitoramento laboratorial é indispensável para minimizar efeitos adversos e garantir eficácia a longo prazo.
Casos crônicos requerem educação do tutor para reconhecimento precoce de sinais de recidiva, importância da adesão ao tratamento e da manutenção do estado nutricional ideal. Revisões periódicas e ajustes terapêuticos permitem controle da doença, evitam internações frequentes e melhoram substancialmente o bem-estar do animal.
Reconhecer o momento ideal para consultar um veterinário especialista pode transformar o prognóstico do animal e aliviar o estresse familiar.
Vômitos ou diarreia persistentes por mais de duas semanas, presença de sangue nas fezes ou vômitos, perda intensa de peso, episódios repetidos de dor abdominal, falha nas terapias convencionais e sinais sistêmicos como icterícia ou apatia devem motivar a busca pelo médico veterinário gastroenterologista.
No atendimento, é fundamental apresentar o histórico detalhado do animal — início dos sinais, evolução, tratamentos realizados e resultados. O veterinário realizará exame clínico minucioso e solicitará exames complementares específicos, explicando cada etapa e resolvendo dúvidas do tutor. O compromisso é estabelecer um plano terapêutico claro, objetivo e individualizado.
Levar registros fotográficos das fezes, vídeos de episódios de vômitos ou regurgitação, além de exames já realizados, agiliza a avaliação. O suporte emocional e a orientação clara sobre a importância da adesão ao tratamento e mudanças ambientais ou alimentares são componentes do cuidado integral oferecido pelo veterinário gastro.
Os sinais gastrointestinais crônicos em cães e gatos são desafios que demandam atenção especializada para um diagnóstico preciso e tratamento efetivo. O veterinário gastro, apoiado por avanços em endoscopia, ultrassonografia, biópsias e protocolos clínicos validados, oferece soluções que proporcionam alívio rápido dos sintomas, melhora da qualidade de vida e suporte contínuo para evitar recidivas. Entender quando buscar essa especialidade e preparar-se adequadamente para a consulta são passos fundamentais para a saúde plena do seu animal de estimação.
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